Argumentação
Alternativas aos Carbômeros
Acrylates/C10-30 alkyl acrylate crosspolymer
Ammonium acryloyldimethyltaurate/VP copolymer
Polyacrylate crosspolymer-6
Acrylates copolymer
Polyacrylamide (and) C13-14 isoparaffin (and) laureth-7
Polyquaternium-37
Hidroxipropilmetilcelulose
Hidroxietilcelulose
Carboximetilcelulose
Goma guar (Hydroxypropyl guar)
Goma tara
Goma xantana
Sclerotium gum
Conclusão
O autor
| Para ajudar neste trabalho de pesquisa, seguem algumas informações, encontradas na literatura sobre materiais alternativos ao uso dos carbômeros. Da mesma maneira, atenção especial deve ser dada ao modo de preparação do álcool em gel, o que, sabidamente, pode alterar muito as características do produto final. Ressalte-se que essas informações são preliminares e que um estudo detalhado deve ser feito para cada formulação a ser testada. Considere o uso de mais de um gelificante em sua formulação. Existem registros de que a associação de Polyacrylate crosspolymer-6, HPMC (Hidroxipropilmetilcelulose) e goma xantana a 3% pode formar géis hidroalcoólicos com até 70% de álcool isopropílico. Portanto, essa deve ser uma saída para se obter géis com a viscosidade, a aparência e a textura desejadas. |
Acrylates/C10-30 alkyl acrylate crosspolymer
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São copolímeros de alto peso molecular. Esses polímeros contêm porções hidrofílicas e hidrofóbicas dentro das moléculas. A porção hidrofóbica do polímero adsorve na interface óleo-água e a porção hidrofílica intumesce na água, formando uma rede de gel em torno das gotículas de óleo e assim proporcionando excepcional estabilidade à emulsão. Não ausência de fase oleosa, forma gel transparente e límpido.
Concentração de uso indicada: 2%
Nomes comerciais: Pemulen TR-1 e Pemulen TR-2
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Ammonium acryloyldimethyltaurate/VP copolymer
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Tem boa compatibilidade com solventes orgânicos (etanol, acetona) e é estável em relação à radiação UV e ao alto estresse de cisalhamento. Nenhuma etapa de neutralização é necessária. Concentrações de 1% ou mais formam géis transparentes e claros. Os géis ligeiramente turvos podem ser transformados em formulações claras por meio da adição de aproximadamente 5% de solvente, por exemplo, de glicerina. Melhor clareza do gel é obtida com água relativamente livre de íons metálicos (desmineralizada ou deionizada). Géis hidroalcoólicos e transparentes podem ser feitos com mais de 50% de etanol. Para fabricar géis hidroalcoólicos, a melhor opção é preparar primeiro o gel aquoso e posteriormente adicionar o etanol. A adição do etanol deve, de preferência, ser feita usando-se um agitador de âncora de movimento lento para minimizar a retenção de bolhas de ar.
Faixa de pH: 4,0 - 9,0
Concentração de uso indicada: 1% a 2%
Nome comercial: Aristoflex AVC
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É um material pré-neutralizado. Pode ser processado a frio ou a quente. Forma géis aquosos transparentes. Apresenta efeito sinérgico com goma tara.
Percentual de uso indicado: 1% a 2%
Faixa de pH: 2-8
Nome comercial: Sepimax ZEN
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É um produto líquido, processável a frio, que eleva a viscosidade instantaneamente após a neutralização, proporcionando facilidade de manuseio e maior eficiência de fabricação. Oferece características como suavidade, sensação não gordurosa e não pegajosa, e facilidade de usar. Permite ampla variedade de possíveis formulações e tipos de produto, incluindo géis, emulsões e soluções claras. É utilizado em: formulações que contêm álcool e glicol (adstringentes e produtos de limpeza), depilatórios, loções (produtos de limpeza corporal, para as mãos e maquiagens) e géis solventes.
Concentração de uso indicada: 2% a 6%
Nomes comerciais: Aculyn 33 e Rheocare TTA
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Polyacrylamide (and) C13-14 isoparaffin (and) laureth-7
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É apresentado na forma de líquido pré-neutralizado. Tem bom poder de espessamento em meio aquoso.
Faixa de pH: 2 a 11
Concentração de uso indicada: 0,5% a 5%
Nomes comerciais: Sepigel 305, Focus Gel 305 e Aquagel 35
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É um polímero catiônico na forma de pó que proporciona excelente viscosidade a sistemas com alta carga de eletrólitos. Controla a reologia de produtos acabados, sendo especialmente útil para formulações transparentes sob condições ácidas. Não requer pré-neutralização e permite processos a frio. Suspende e estabiliza coingredientes, principalmente em alta presença de eletrólitos. Proporciona sensorial macio seguido de excelente espalhabilidade.
Concentração de uso indicada: 1% a 2%
Nomes comerciais: Cosmedis Ultragel 300, Kleosol 200ST
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Pó branco ou ligeiramente amarelado, inodoro, insípido e atóxico. Pode ser dissolvido em água fria para formar uma solução transparente e viscosa. A solução aquosa desse produto tem atividade na superfície para que ele tenha emulsificação, coloides protetores e estabilidade relativa.
A viscosidade da solução aquosa é relativamente estável no intervalo de pH entre 3,0 e 11,0.
Concentração de uso indicada: 2% a 5%
Nome comercial: Benecel K200M
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É um polímero solúvel em água, especialmente modificado, não iônico, obtido da reação de óxido de etileno com celulose alcalina. Solúvel em água fria ou quente, forma soluções cristalinas de viscosidade variável. Também é solúvel em até 60% de etanol.
Aspecto: pó inodoro de cor levemente marrom.
Estável em ampla faixa de pH de 3 a 10.
Concentração de uso indicada: a partir de 1%
Nomes comerciais: Cellosize QP 100, Cellosize QP 4400H e Natrosol 250 HHR
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A carboximetilcelulose (CMC) é um pó inodoro de sabor característico e coloração branca a amarelada. Derivada da celulose, é utilizada na indústria de alimentos como espessante, estabilizante, umectante e gelificante, e para conferir volume e corpo e reter água. Disponível na forma sódica (sal de sódio), como carboximetilcelulose de sódio. Pode funcionar bem como agente de viscosidade complementar.
Concentração de uso indicada: a partir de 1%
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Goma guar (Hydroxypropyl guar)
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A goma guar se dispersa e hidrata quase completamente em água fria ou quente, formando soluções altamente viscosas. É insolúvel em solventes orgânicos. A viscosidade das dispersões ou soluções de goma guar depende da temperatura, tempo, concentração, pH, velocidade de agitação e tamanho das partículas do pó. Em água fria, a viscosidade máxima da goma guar é alcançada em 1 a 4 horas. A viscosidade de uma solução a 1% varia de 2.000 a mais de 5.000 cP.
O pH de uma solução de goma guar a 1% está entre 5,0 e 7,0. As soluções de goma guar têm ação de tampão e são muito estáveis em pH de 4 a 10,5. A hidratação mais rápida ocorre na faixa de pH 7,5-9.
É compatível com pectina, metilcelulose e carboximetilcelulose.
A goma guar também é compatível com quase todos os amidos quimicamente modificados, os amidos crus, celulose modificada, polímeros sintéticos e proteínas solúveis em água.
Concentração de uso indicada: 1% a 3%
Nomes comerciais: Jaguar HP-105 e Focusguar SN-3230C
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Originária do endosperma da semente da árvore peruana tara (Caesalpinia spinosa), é um polissacarídeo composto de manose e galactose.
Solúvel a frio, proporciona viscosidade a sistemas aquosos, lácteos e a sistemas de baixa solidez, em poucos minutos. Atua como espessante, aglomerante, estabilizador e retém umidade. Tem as vantagens de ser incolor, insípida, muito estável e apresentar ótima sinergia com outras gomas. A goma tara oferece máxima viscosidade, mesmo a frio, em matrizes de baixos teores de sólidos, como água e leite. Tem ótima sinergia com a kappa carragena e com a goma xantana, e é comparável à goma de alfarroba em relação à sua força de formação do gel e à redução de sinérese. A goma tara é estável em meios aniônicos e catiônicos, e estável em uma larga faixa de pH.
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É muita usada em formulações de cremes e loções cremosas. É compatível com soluções aquosas de solventes miscíveis em água comuns. Há a informação, em publicações, de que a goma xantana pode suportar soluções com 40% a 50% de glicerol, glicóis, éteres de glicol e álcoois sem precipitar.
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É um agente espessante natural de última geração que oferece gelificação multifuncional e atividade estabilizadora. Permite o desenvolvimento de géis e cremes estáveis que proporcionam excelentes características sensoriais. Quando é usado na formulação em concentrações de 0,5% a 2,0%, a goma sclerotium aumenta a viscosidade da formulação, mantendo boas propriedades de fluidez, flexibilidade e vazamento. Sua natureza não iônica permite que esse agente seja utilizado em ampla faixa de pH: 5,0 a 12,0. Em concentrações entre 0,25% e 2%, é possível se obter géis com viscosidade entre 60 e 12.000 cP. Os géis preparados com água fria (temperatura < 20°C) não atingem viscosidades muito elevadas, por isso é recomendável utilizar água aquecida, próxima a 60-70°C. Viscosidades de 500 a 800 cP são obtidas com concentração de 0,5%.
Nome comercial: Amigel
Algumas gomas podem precipitar na presença de álcool, o que ocorre no processo de obtenção de algumas delas. Portanto, é recomendado que se avaliem previamente o modo de preparação e os resultados obtidos.
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Com a RDC n.º 350/20, da Anvisa, há uma flexibilização para a indústria cosmética fabricar o álcool em gel 70%. Entretanto, há restrições quanto à disponibilidade de espessantes/gelificantes, insumos necessários à sua fabricação.
O uso de espessantes alternativos pode representar custo mais elevado do produto final do que seria obtido com o uso de carbômeros, mas deve ser fortemente considerado que decisão de fabricar álcool em gel com carbômeros terá como objetivo principal colaborar com o país em um momento de inédita excepcionalidade.
Portanto, os preços de venda deveriam ser calculados de maneira a cobrir somente os custos, incluindo os da mão de obra e com os impostos. É certo que, ao voltar à normalidade, teremos uma demanda reprimida importante a ser atendida e que deverá ser até maior para alguns produtos específicos, como creme para as mãos. Esse retorno vai criar novas oportunidades de recompor o lucro das empresas.
Precisamos todos trabalhar juntos para que a retomada da normalidade aconteça da maneira mais rápida possível.
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Wallace César Porto Magalhães é farmacêutico e atua há mais de 30 anos na indústria de cosméticos. É o responsável pelo desenvolvimento e pela coordenação de suporte do sistema RTC, na Pró G9 Tecnologia da Informação. Assina a coluna “Gestão em P&D” na revista Cosmetics & Toiletries Brasil.
https://www.cosmeticsonline.com.br/artigo/389?utm_term=Alternativas para Fabricacao de A%C2%81lcool em Gel&utm_campaign=Assinantes da Versao Digital da revista Cosmetics %26 Toiletries Brasil&utm_source=e-goi&utm_medium=email |
